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Ex-âncora da Globo, demitida ao voltar da licença-maternidade, é eleita deputada estadual no Rio
Ana Paula Mendes, ex-âncora da InterTV, afiliada da Globo no interior fluminense, recebeu 43.356 votos pelo PSD e conquista uma cadeira na Alerj.

A jornalista Ana Paula Mendes foi eleita deputada estadual pelo PSD no Rio de Janeiro. Ela recebeu 43.356 votos e garantiu vaga na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para o mandato de 2027 a 2030, conforme os dados do TSE divulgados em O Tempo às 02h11 de 5 de outubro.
Ana Paula ficou quase 16 anos na InterTV, afiliada da Rede Globo no interior do estado. A vitória nas urnas fecha um capítulo que começou com uma saída inesperada da televisão.
A demissão
Apresentadora do RJ TV e editora-chefe do RJ2, Ana Paula tirou férias e, na sequência, entrou em licença-maternidade após o nascimento de João Mendes, filho dela com o delegado Alessandro Gabri. Ao retornar ao trabalho, foi comunicada de que estava desligada da emissora.
A notícia foi dada por ela mesma, em um post no Instagram. Na captura abaixo, o texto aparece na íntegra, com mais de 27 mil curtidas e cerca de 4,7 mil comentários no momento do registro.

No texto, a jornalista agradeceu ao público e às 50 cidades atendidas pela emissora no estado. Falou em ciclos que têm começo, meio e fim e nem sempre dependem de quem os vive. Encerrou com uma frase que se tornou marca da sua história: “A vida sempre trabalha para o bem”.
Uma trajetória marcada por perdas e recomeços
Ana Paula engravidou em março de 2021 e, dois meses depois, contou ao vivo, no programa que apresentava, que havia perdido o bebê. “Um pedacinho de mim se foi”, disse na ocasião. No início de 2022, engravidou novamente e deu à luz em outubro do mesmo ano.
Após o anúncio da demissão, colegas de profissão se manifestaram. O jornalista Paulo Henrique Cardoso escreveu que ela era “grande demais, até mesmo pro lugar que te viu crescer” e desejou que ela voasse ou descansasse as asas.
Da bancada ao plenário
Conhecida do público do interior do estado por levar o noticiário às casas por mais de uma década, Ana Paula transformou a visibilidade construída no jornalismo em capital político. Com os 43.356 votos, ela passa a integrar o Legislativo estadual.
Maternidade e poder de decisão
O caso vai além da trajetória de uma profissional. A emissora não detalhou publicamente os motivos do desligamento, e não cabe aqui julgar a decisão. Mas o momento em que ela ocorreu, na volta de uma licença-maternidade, toca num ponto que milhares de mulheres conhecem: o retorno ao trabalho depois de ter um filho ainda é um dos momentos de maior insegurança na carreira feminina.
A eleição de Ana Paula mostra o outro lado dessa história. Uma mulher que deixou a bancada do jornal passa a ocupar uma cadeira onde se discutem leis, orçamento e políticas públicas. É nesse tipo de espaço que se define, na prática, como o país trata a maternidade: licenças, creches, proteção no emprego, apoio a quem volta ao mercado.
Quanto mais mulheres sentam à mesa onde essas decisões são tomadas, maior a chance de o tema deixar de ser tratado como assunto privado e passar a ser tratado como questão de interesse público. Resta saber se o mandato vai transformar a experiência pessoal da deputada eleita em pauta concreta na Alerj. O eleitorado, que já acompanhava a sua voz nas telas, agora vai acompanhá-la também no plenário.
Os números podem receber ajustes até a conclusão da totalização. Consulte o Sistema Resultados do TSE para acompanhar a atualização oficial.